Chega um certo momento em que você simplesmente não precisa varrer mais nada para debaixo do tapete. E o desapego começa a fazer parte integrante de sua rotina, sentimentos, desamores, saudades furadas, cartas amarelas, mentiras encaixotadas, verdades sem sentido, memórias desgastadas, tudo aquilo que já estava velho e inútil para carregar o tempo inteiro.
Você sente a necessidade de não mais recuar - ter medo - das oportunidades que a vida lhe esfrega na cara, toda vez que está com a baixa estima elevada. Você aceita, compreende, e, quando vê já até consegue responder de forma adequada (mesmo com as maças do rosto queimando), perguntas que antes você certamente arrumaria uma desculpa atoa, ou mudaria de assunto em uma velocidade absurda.
Existe alguém que se importa...
Que faz você quebrar todos os espelhos da mesmice conformada, e enxergar a realidade que estava ali o tempo todo esperando você abrir as portas para entrar e se acomodar.
E de repente, a motivação começa a voltar, e você começa a amadurecer alguns conceitos para o bem do seu coração. Sorrir sem precisar de motivos para isso. Deixar a alegria lhe fazer cocegas, em pelo menos metade do dia. Olhar para dentro das suas próprias atitudes, apertar suas próprias feridas, refletir o quão idiota você foi por um longo tempo. E não se culpar por isso, apenas sacudir essa poeira das costas. Escancarar as Janelas da Alma. E se permitir apenas ser Feliz.
Foto: Cristine Rodrigues

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