“Não
entendo. Mas entender enlouquece vagarosamente Tira-me do eixo. E é por isso, que às vezes,
apenas lhe deixo passar.”
Ora
se arrasta. Ora se apressa. Fora os dias em que me faz travar, parada num
minuto, que se estende por horas. E horas. Deixando apenas o gosto amargo e
turbulento. Do que segundos atrás – se bem me lembro – era doce e
tranquilizante. Permita-me fazer um pedido. Assim como quem nada quer? Pois então
me leve daqui. Não deixe que eu permaneça atrasada pelo seu tiquetaquear irregular.
Não
peço consertos. Nem tão pouco quero remendos. Até gosto do barulho macio que
fazem os meus parafusos soltos, prontos para me iludir em sonhos. E minhas engrenagens desreguladas, que em nada adiantam, minhas decepções. Até funcionam
bem; exceto pelo fato de darem cordas, despertando, os ponteiros das
expectativas enfurecidas.
E
por favor! Não deixe que os dias passem mornos e velozes. Emendando com aquelas
noites entorpecentes e compridas demais. Não dá, para mentir a falta que faz
não ter em quem acreditar quando a vida soa à meia-noite.
Ilustração: Leonardo Cardoso & Jéssica Almeida
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