Nunca aprendi a iniciar uma carta para você.
Deve ser porquê nunca tivemos um começo. E quando as palavras me faltam é porque o ar me abandonou também. Essa é a sensação que tenho todas as vezes que te vejo passar - mesmo que seja só nos meus pensamentos.
Sabe.. Eu poderia tentar entender - na verdade, me entender. Porque faço tanto esforço pra continuar te guardando aqui dentro, não tem me feito nada bem, já que te lembrar me faz remeter a mente, à momentos que eu considerei bons e que hoje alfinetam meu coração sabendo que não voltarão mais. Eu tinha plena consciência de que cada instante ao seu lado passava muito perto do ultimo. E isso fazia com que eu aproveitasse cada milimetro de você. Das suas mãos. Dos seus olhos. Das suas palavras infinitas. Era como se um para-sempre fizesse morada em cada segundo no relógio que eu insistia em não querer olhar. Sempre foi difícil aceitar que quando você me dizia até-logo, poderia facilmente ser um adeus. Só de lembrar sentia o inverno no meu estomago. Eu não queria você longe, nossa distancia geográfica já era bastante perturbadora. E só de imaginar que emocionalmente você também poderia se distanciar já era motivo suficiente para não conseguir dormir mais uma noite.
Você está longe agora...
Eu sei... E não me conforta em nada entender que eu já sabia disso tudo. Um dia tudo isso iria acabar. E eu precisaria aprender a lidar com esse vazio. Mas entenda você também, que pra mim as pessoas não são substituíveis e esse espaço que você ocupou em mim. Ninguém vai conseguir preencher. Ainda que eu supere. Ressuscite. Reanime. Reintegre esse pedaço. Lembrarei de você e de todo bem que você me fez.
Entre sorrisos, soluços e suspiros você me ensinou a trancar os problemas e lamentações junto com o resto do mundo. Enquanto dentro do seu abraço só restasse eu e você e uma sensação incrível que eu não sei se posso dar o nome de felicidade. Juro, eu nunca te quis como propriedade minha, entendi seus motivos e as suas condições desde o primeiro olhar. Sempre soube meu lugar e onde deveria ficar. Mas quis que você ficasse ali comigo.
Mas acabou. Dói... de verdade. E quando dói eu acabo esquecendo de respirar. Sei lá, talvez seja para que você não escape. Porque quanto mais forte é a pontada, mais de você eu sei que ainda me resta. Antes isso do que nada. Eu sei que nos pertencíamos, sei que era verdadeiro. Sei que ali existia amor. Sei também que nada disso deveria ter acontecido. Mas aconteceu. Sei que você sempre foi meu, sempre será. Mas na verdade nunca foi.
E eu fico aqui costurando com alguns fios de esperança meu coração que você deixou para que eu cuidasse. Faço o possível mas confesso que é difícil sem você pra me ajudar.
Tenho um amontoado de papéis amarrados com toda a minha coragem, e preenchidos com tudo aquilo que fica preso toda vez que você desliga o telefone. Eu poderia dizer que seria ótimo me perder nos seus pensamentos, mas só consigo dizer Tchau!
Foto por Susi Godoy e Tamires Guimarães

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