Desencontros [Parte Final]


Estavam conectados de uma maneira surpreendente. E de olhos fechados eram capazes de captar os sentimentos um do outro. Perto ou longe. Nunca fez a menor diferença.
Ela já não lembrava mais da sua voz, mas sabia perfeitamente a profundidade do seu olhar. Não havia mais esperanças de que voltassem a fazer parte de um só coração. Aliás esperança, era uma coisa que já abortara de sua vida, há um bom tempo. 


Enquanto ele, já não sabia mais o que fazer com o mundo de duvidas. Sentimentos vazios. E sonhos irrealizáveis. Que ele mesmo havia criado, e não tinha coragem de sair. Pensou diversas vezes em seguir conselhos. Dar atenção à palavras de incentivos. E muitas outras chances que batiam o tempo todo a sua porta. Mas enquanto dava dois passos à frente, outros dez passos lhe faziam recuar.
Sabiam que a vida era cheia de problemas. No entanto sabiam ainda mais que podiam construir soluções juntos. 


Era impossível traduzir esse sentimento de pólos invertidos, que os repeliam o tempo inteiro. E mesmo que assumissem 'amor' olhando nos olhos. O mais correto era concordar com essa vida de desencontros infinitos. Encarar todos os pensamentos aflitos. Tapar todos os buracos. Esquecer tudo o que já passou. Lembrar de sorrisos. Olhares. Palavras. 
Reescrever alguns capítulos de uma história bagunçada, cheia de rabiscos. Para que se descobrissem na integra, sem intervenções dos sentimentos desesperados que os maquiavam. Sempre.

Foto por Jefferson Ramos

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