Por medo de aceitar o
que era triste, se quebrou.
Um passo de cada vez, rumo ao desconhecido e encantador, senso de realidade. Sem deixar, nunca, de lado os propósitos que a fazia sonhar. Um pouco alto quem sabe. Impossível talvez. Mas desprezível, Jamais.
Parecia frágil e vulnerável a
todo mal do mundo. Como se pudesse quebrar-se em mil pedaços, com um simples
piscar de olhos. Nunca fora capaz de traçar estratégias que a mantivesse em
equilíbrio entre lágrimas e sorrisos. Estava certa de que a proporção era
absurdamente ridícula: Para cada gota do que poderia dar certo, havia um litro
de falhas e decepções.
O mundo realmente perecia
estar acomodado sob o suposto poder das ‘desculpas’. Não havia mais diferença,
nenhuma, entre pisar no calo (sem querer) e distribuir atitudes impensadas. No
entanto ela estava disposta a rasgar todas as mentiras que hoje tinham forma de
cartas velhas e amarelas. Aceitava o fato de que não fazia mais nenhum sentido,
ficar remoendo um passado que já se resumia a poeira inútil. E decidiu que não mais gastaria nada que
envolvesse tempo, palavras,e, sentimentos, com pessoas que se preocupassem apenas
em ficar invisíveis à toa. Estava cansada, e sentia fortes dores nas costas ao
levantar-se, talvez fosse um fardo de contas que nunca foram pagas, que havia
juntado durante muito tempo – Os débitos seriam quitados. As dores sumiriam. E
a respiração ficaria mais leve.
Depois de ter passado muito
tempo achando que não conseguiria ser feliz a ponto de duplicar, dividir com
alguém. Sempre se julgando complicada demais. Chegou à conclusão de que ficaria
bem melhor, se pelo menos conseguisse aceitar que a cada dia faltará algo. Que
a vida é curta demais, para ficar procurando atalhos e maneiras de chegar mais
rápido, a qualquer lugar. E mesmo que todos os dias, revirasse todos os lados
de um mesmo nada. Ela finalmente destrancaria os cadeados que ainda prendia
seus pés, a pensamentos inoportunos e se permitiria reconsertar. Remendar. Reconquistar
tudo aquilo que lhe foi arrancado sem permissões. E não importaria mais ‘Quem’
ou ‘O quê’ atravessasse seu caminho. Trataria como pedras e tiraria com
cuidado.
Um passo de cada vez, rumo ao desconhecido e encantador, senso de realidade. Sem deixar, nunca, de lado os propósitos que a fazia sonhar. Um pouco alto quem sabe. Impossível talvez. Mas desprezível, Jamais.
Foto por Susi Godoy

Gente, me senti totalmente compreendida com o que queria passar nesse ensaio. fantastica a sua leitura da cena e lindissimas palavras. Ainda me impressiono com seu talento <3
ResponderExcluirÉ um passo a frente. Filosofia.
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