“Não
há nada que possamos fazer agora. Tudo está quieto até demais. Universo
estagnado. Bagunça espalhada pela galáxia.”
Tudo
o que me disse, hoje, vagueia em minha mente. Perambula. Você ignorou os gritos
do meu coração. Fazendo esse medo ridículo, de dizer o que sinto crescer
descontrolado dentro de mim. E me deixou paralisada no vão da porta. Apenas os
meus monstros chamam meu nome. E sussurram conselhos insignificantes. Sinto o
caos galopando ao meu encontro, enquanto tento me refugiar em sono. Assistindo
o céu em tons de lilás e cinza pairar sobre mim.
Mentalmente.
Revirei o seu lixo na madrugada, e encontrei todas as cartas, sem rimas, que te
escrevi. Junto com cada palavra vencida, me encontrei ali, junto aos restos de
comida do jantar de ontem. Entendi que para você não ia doer. Logo você que
parecia ser o pilar mais forte desta casinha de palitos de madeira: deixou que tudo desmoronasse quando se propôs à assinar meia dúzia de papéis que te deixaria submerso até o
pescoço. E eu não estarei com você. Nem mesmo em pensamentos. Aliás, você nunca me permitiu que eu me
fizesse presente em corpo e alma. Passou a preferir a distância dos nossos “Olá’s”,
cabeça baixa, sussurrados na rua. E no fundo, você bem sabe que nunca fui inalcançável,
foi você que derrubou esta ponte vandalizada, abandonada, entre nós. Me deixou
ilhada, e o pesadelo que construí, foi meu próprio mundo para escapar. Desta terra
de flores falsas – de papel. De promessas inflamáveis. Corro dos meus gritos,
sem conseguir parar pelo medo das noites silenciosas.
Me
[des]pluguei dos fios desencapados que davam curto-circuito nos meus
sentimentos...
Passei
a confiar mais em meus ombros; quando você disse que eu não suportaria.
Carreguei o pesado fardo, sozinha, e ainda lembro o abraço largo que me deu
depois de quase engasgar um adeus. Mal pude sentir os seus braços. E os seus
olhos já dançavam há anos luz de mim. E agora. Só agora que você parou de
pressionar a jugular da minha vida. Respiro melhor. E sem as pupilas dos meus
sonhos dilatadas. É possível enxergar os planos que cresceram e o que
retornaram ao pó.
Ilustrado por Susi Godoy [Insomnia]
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Substantivos seguidos sempre por adjetivos, para nunca deixar sem cenário os sentimentos. Ótima como sempre.
ResponderExcluir"Pra nunca deixar sem cenário os sentimentos." (Que lindo).... Obrigada como sempre!!! =D
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