E o que podemos fazer, quando o sentimento
não bate? Encaramos mesmo sabendo que não vamos sorrir sinceros? Ou trancamos
as portas, e esperamos, outra volta do mundo tentar nos unir?
Eu sei. Você me enxerga sempre cheia de
armaduras. Mas eu não me abalo. E se me calo é só para não pensar em te magoar.
Sei que deveria me desarmar. Aceitar. E até agradecer. Se eu dissesse que não
posso, estaria mentindo descaradamente. A verdade é apenas que não quero. E vai
por mim o problema não é nada e muito menos alguém.
Desculpe-me pelas vezes que fechei as portas
em sua presença. É que muitas vezes era só a sua ausência que eu precisava pra
ficar em paz. Não interprete mal. Temo pela maneira que espera que eu seja. Eu
mesma nunca me esperei pra nada. Posso decepcionar suas expectativas. Desbotar
suas melhores intenções; e até a cor do seu coração. Isso talvez explique a
falta constante de ‘sim e não’. Mas se for possível interprete o meu talvez.
Não. Isso não é estar em cima do muro. Já
pulei para o lado de lá, há muito tempo. Como é que você ainda não foi capaz de
perceber a minha voz longe e abafada? Só tenho gritado pra te tranquilizar.
Eu tenho mesmo esses momentos de coração
lacrado. E mente impermeável. E agora, só queria ter mais almofadas e menos
pensamentos jogados pelo chão. Entende?
Já apostei tanto. Perdi. Que hoje não tenho
mais, cartas na manga, para pagar pra ver. Não se abstenha de mim. Mas se
possível me enxergue com outros olhos. Atravesse essas grades. E deixe o tempo
passar sorrateiro. Uma hora ele mostrará a saída. E se hoje o seu coração
dispara. O meu somente se embaralha. Não é descaso com seus sentimentos. Nem
falta de empatia com o seu tempo perdido. Você só apareceu na hora errada e na
contra mão dessa minha estrada sinuosa.
Ilustrado por: Thiago d'Almeida
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