Quantas vezes já viramos nossas páginas, antes
mesmo da história começar? Digerimos as nossas frustrações amargas. E brindamos,
juntos, nossas fragilidades. Somos feitos de sombras e assombrações.
Os suficientes já não explicam nosso
relacionamento. Queremos fechar as portas; nos abraçamos. Dizer adeus; Entrelaçamos
os dedos.
Sejamos coerentes, nossas reticências já estão
gastas, e quase não aguentam mais essa insistência. Já nos deixamos livres para
admitirmos, que acabamos como ‘nós’. Mas sozinhos perdemos toda nossa essência.
O que construímos juntos sobre tijolos e lágrimas, a erosão deixou gasto e
vulnerável à queda. Mas ainda assim nossos elos são fortes. Diria indestrutíveis.
Acabou o olho-no-olho-ardente. E nossos
corpos já não se entrelaçam como antes. Poderíamos sonhar juntos. Mas brigamos
pela ultima vez, a todo tempo. Nos suportamos na maioria das vezes. Só para não
dar uma chance ao ponto final.
Deixe morrer, ou matemo-nos mesmo assim?...
Que chova sobre nós. Não corra. Não procure
abrigo. Já cansei dessa nossa fuga. Não adianta querer mudar o problema de
lugar. Ponha-o no bolso. Na mala... Todo aquele mar de rosas, já murchou. E mesmo
com todos nossos percalços, nunca vamos nos abandonar. Não queremos. Não podemos.
E apesar de muito álcool nas feridas expostas. Gritos que silenciaram nossa
dor. Entramos em um mutuo estado de conformidade. Seguiremos, mesmo assim,
mornos. Você queimando a 39 graus. Eu, abaixo de zero, congelada, sem nenhuma
vontade de derreter.
O amor já desvendou nossas artimanhas. E mesmo
vivendo o inferno em sentimentos. Estaremos bem. Infelizes e do lado esquerdo
das nossas vidas. Mas felizes por estarmos juntos e na mesma direção. Até quando
morrermos de insuficiência amorosa aguda.
Adeus amor: Para sempre. Até amanhã...
Susi Godoy: Na parceria sensacional e na Brilhante Ilustração.
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