Senta
aí. Espera pelo menos a chuva passar. Não tem nada – absolutamente nada – te
esperando lá fora. Eu sei. Fica. Eu coloco sua musica favorita pra tocar.
Baixinho, assim posso te ouvir respirar. Suspirar. Cantarolar. Se for agora,
não vai ter graça nenhuma. Não vai dar tempo de guardar um momento bom, pra
sonhar mais tarde.
Até
anteontem, eu vivi um ‘Eu-te-amo-para-sempre’ com você. Por isso que hoje foi
tão difícil levantar da cama. Suspeitei que fossem mais fáceis essas coisas de
superação. Mas nem pregar os olhos eu consigo mais. Sem você tenho deixado
lágrimas secarem sozinhas no travesseiro. Já amanheço vestindo um sorriso
largo. E tomando um café de bom humor, bem reforçado. Pra não afetar ninguém
pelo caminho. Sinto falta de quando minhas preocupações eram resolvidas com um
lápis de cor mais colorido.
Há
de convir comigo que sozinha eu não posso ter uma historia interessante pra
contar. Mas com todo esse oceano entre nós. Fica difícil construir algo, sem o
iminente risco de uma maré alta pra nos desmoronar. Eu já juntei milhões de
motivos pra você ficar. E fique você sabendo que o preço que eu pago – muito
alto – por querer ter você por perto. Além de incluir barris de pensamentos
perdidos pela noite. Ainda me rendem altos juros, e taxas abusivas de
esperanças e frustrações. Eu bem que poderia ficar aqui. Eu e meu orgulho
ferido. E dar um jeito de recomeçar. Mas não posso. Parece que para os meus
sentimentos. O saudável é esse divã de sofrimentos que me obrigo a deitar.
Antes seu desprezo. Falta de empatia. Lembranças em marca d’água. Do que nada.
Você me bagunça; e ainda tem coragem de me recriminar por não querer arrumar
tudo por você. E todas as vezes que você ameaça ir de vez. Sempre volta com as
mesmas desculpas. Insinceras por sinal.
E
quer mesmo saber... Preciso te desalojar. Sem deixar sobrar nenhuma
meia-verdade sua. Jogar uma água gelada no rosto, pra não sentir sono. E não
ter que dormir nenhum sonho seu.
Ilustrado por Luiza Prado
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