Estranho.
Mexeu comigo. Soltou meu riso inconsciente,
desinibido. Me fez sentir desordenadamente, bem. Mas sempre foi mais fácil ir embora.
Me deixando as margens de mim. Sem cuidados. Sem saber como é que se põem os
pés no chão novamente. Você deveria ser proibido. Mas preferiu ser inevitável.
Sei bem, eu não deveria. Não devo. Misturar
seus traços. Nem as suas linhas precisas, que amarram em mim o que desejo ter.
Me esquivo. Desisto, não por muito tempo...
Preciso do som do seu coração batendo, para
embalar os sonos que já não valem nada. E da sua pele colorida pra interromper
tudo o que tenho negado. Teimosia. Contemplo em seu braço, desenhos de saudades
e gritos sufocados de alguém, que já se perdeu e se desencontrou do próprio
corpo. Desenha pra deixar bem marcado. Mas, vez ou outra corre de quem é; pra
não ter que esbarrar em uma rotina de beijos e abraços vagos. É... Suas cores
fortes envolvem até a mais pura essência do que procuro evitar. Mas não posso
deixar de ser quando encontro seus olhos. Tenho tentado manter você por perto,
o mais longe possível. E te marco a lápis. Pra continuar sendo fácil de te
apagar, quando você deixa claro que, apesar de adorar, não vai tatuar meu
sorriso no seu peito, perto do coração, por falta de espaço. Que é melhor
continuarmos em acordes pela madrugada. Pra desafinar um até mais. E voltar a
ecoar uma nota qualquer, quando fizer sentido sentir falta. Quando um afago
gentil, for conveniente para o que a gente não tem.
Veja bem, Meu bem. Tentativas não nos basta.
Sabemos que essa nossa história, rascunhada. Não terá um segundo capitulo.
Final, sim. Tenho torcido por um epilogo, sem muitas esperanças. E veja bem,
mais uma vez. Não é que eu não queira. Não me importe. Ou não tenha me
esforçado. Mas eu sei que já faz tempo, que a vida não é tão boa comigo. E se me
afasto. Mesmo depois que me devasto. Não é por medo. Só precaução. Porque quantas vezes mais as lágrimas
teimarem em ficar presas no canto interno dos meus sorrisos fáceis, elas vão
sempre me lembrar de que você já anoiteceu demais.
Algo no que não somos me faz acreditar que não
devo deixá-lo agora. E que toda tentativa de te desarmar pra você ficar é inútil.
E quanto mais soltos estivermos um do outro. A probabilidade de nos esbarrarmos
é maior. Algo no que nossos olhares trocam me faz acreditar que o coração perde
tempo querendo que sejamos eternos. E com passos cuidadosos em sua direção, é
melhor que você seja tudo aquilo que não me faz falta. Pra não correr o risco
de ter que deixar esquecido. Em qualquer lugar que não me entusiasme procurar.
Foto por Jefferson Ramos [Projeto: But you are the only exception]
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