Veio com um laço bonito. Mas você fez questão de
dar um nó.
Seus carinhos trouxeram espinhos pra me cegar a
alma. Tive calma. E nunca pude lhe dizer não. Te levei café na cama: Chá quente
e torradas no ponto. Mas você passou do ponto, e hoje levanta pra tomar café na
esquina. Depois de reclamar que o chá tá requentado. Não tá vendo que eu to
cansado. E que com esse pouco espaço eu não consigo respirar.
Você tem tudo aquilo, que o seu dinheiro pode
pagar. E eu não tenho preço. Nem código de barras, pra você se apoderar. Amor
não se compra em cápsulas não querida. Os arranhões nas costas seriam marcas de
uma noite inesquecível, mas você faz com que pareça, a identificação de um
território seu. Os telefonemas nas madrugadas longe de você deveriam ser um
alento para a sua insônia, e você faz questão de que se torne uma obrigação. Abraços
fortes e beijos quentes, tudo que deveria ser saudável e delicioso entre duas pessoas
que teimam em se gostar: você transforma em gás nocivo pronto para me intoxicar
ao menor sinal de desinteresse pelo seu dia tão comum.
Eu me interessaria bem mais pela sua rotina, se
você não abafasse a minha.
E não. Este cobertor de orelhas que te esquenta as
costas, os pés, e que te fala baixo aos ouvidos pra te arrepiar todas as
noites. Ele não é seu. Gosto de estar com você. Desde que você não me ameace
com rédeas curtas. A individualidade estava aqui, antes de você aparecer, meu
bem. E se aceitei dividi-la com você. Seja grata, e aprenda que dividir não é
subtrair. Deixa de ser espaçosa e permita que o espaço na cama seja,
confortável, para nós dois. Eu também sinto frio na madrugada, e se você
continuar com a ideia de que é dona do mundo, do edredom, ou que sou uma
propriedade sua. Vou preferir a cama de solteiro outra vez. Ou pior uma cama
maior com alguém que não me sufoque a vida.
Nunca gostei de correntes. E isso você finge que
esquece.
Ilustrado por Lays Salles

Nenhum comentário
Postar um comentário
Apenas diga!