Cada um com seu cada qual - ou procurando - para um final feliz. Ainda que esse final não acabe mas ainda sim continue feliz.
Os livros, filmes, novelas, redes sociais e até os noticiários me ensinaram ao longo da vida um padrão de amor que eu realmente nunca quis seguir. E não seguirei. Encaram amor como o ciclo natural da vida - tem que nascer, crescer e automaticamente depois de um período, seja ele longo ou curto demais, precisa morrer. Porque tudo na vida tem que ter um fim.
Nunca gostei de finais.
Acredito na infinidade das coisas, porque vivo de momentos. Pra mim aquele instante é eterno e contem tudo que eu preciso para acreditar que foi pra sempre. Cedo ou tarde, o pra sempre pra mim é relativo.
Amor não tem que ter regras, precisa ser bonito. Não tem que ter rótulos, basta ser vivido. Tão intensamente quanto a vida.
Sabe quando aparece em uma propaganda de colchões, ou num filme qualquer de besteiras românticas. O lado da cama da mocinha sempre é o maior, enquanto o pobre moço luta apenas para não cair da cama. Olho, balanço a cabeça e me pergunto qual a porcentagem de casais presos a essa mania. Acordo noites na beira da cama enquanto o amor da minha vida dorme tranquilo e pesadamente rouba meu lençol. Acho graça e com muito jeito peço o lugar de volta, aproveito e me aninho em seu peito travesseiro mais que perfeito. Não há problemas, indignações, cara feia ou noites mal dormidas. Estar lado a lado compensa qualquer tribunal de pequenas causas.
Ainda questiono sorrisos forçados em comercial de margarina.
Porque quando a gente ativa no coração o modo amor. Pouco importa a questão de status. E viver de aparências é quase morrer um segundo por dia. Não proponho desfilar em lugares conhecidos, exibindo minha felicidade como um troféu, quero ela refletida pela manhã entre uma remela e um minuto antes dos dentes escovados, soltar elogios mesmo quando o cabelo parece gritar por independência e o pijama amanhecer todo torto, fora do lugar. A crise de riso matinal é o que motiva um dia inteiro mais bonito. Não preciso de músculos ou abdomens de filmes, quando academia está fora de cogitação. As gordices de final de semana já estão fixadas na geladeira. E um abraço em noites de tempestades já são o suficientes para me sentir protegida de todo mal do mundo.
E que a simplicidade seja palavra de ordem enquanto as mãos permanecerem entrelaçadas.
Só o que importa é o quão famoso o tiozinho do cachorro quente é, perante as informações da banca de jornal. Milhões de estrelas num restaurante que saiu no guia gourmet, não pagam o vidro de catchup e mostarda ralé, e uma lata de refrigerante derramada "sem querer". Porque ser desastrado é uma mania que pega. E uma boa companhia é o suficiente para não precisar de outra coisa que não seja o olhar sincero de quem está ali te amando tanto quanto você.
Bato insistentemente na tecla da reciprocidade porque sem ela amor é um barco furado e sem remos.
E hoje quando eu me pego olhando pro nada. Reflito no quanto era você que eu sempre quis desde que nasci. Dane-se os cavalos brancos. E as contas bancárias que vão para Marte. Não dependo de você para andar, respirar ou abrir um pote azeitonas. Mas como tudo flui melhor quando ouço sua respiração. Caminhamos juntos e vejo seu rosto orgulhoso quando abre um pote pra mim. Nunca desejei uma casa grande com as paredes pintadas de branco gelo, quinhentos cômodos e banheiros, para contar numa roda de gente desinteressante que conhecemos num emprego perfeito. Tá ótimo uma casinha simpática pra voltar no final do dia, com coisas que a gente consiga pagar no emprego que não nos faça reclamar quando acordar. Pra chamar os amigos que não se recusaram a se achegar porque só tem amendoim e é melhor trazer uma caixa de cerveja a mais.
Melhor ser feliz com o pouco que se conquista. Do que com o muito que perturba.
Amar é não ter certeza de nada enquanto o amor continua sendo a certeza de tudo. E pra tudo que não faz sentido levar sentimentos em listas ou padrões é pedir pra passar um tempo em que surpresas não façam moradas em sorrisos bonitos.
Foto por Karine Maia

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