À você que me faz olhar pra trás o tempo inteiro




Desculpe-me, o titulo até parece falar de algo bom - mesmo eu querendo que fosse - não é, infelizmente não é.

Eu bem que gostaria de conseguir olhar para trás e não sentir como se a minha cabeça fosse escapar do pescoço de tanto rodar.

A verdade é que eu poderia negar até a morte o quanto você me fez sentir uma pessoa melhor. Mas sou orgulhosa demais pra isso. Ultimamente eu tenho preferido soltar os seus defeitos e coisas que me irritavam profundamente por aí. Sinceramente. Tenho mais lembranças boas a seu respeito do que o contrário, mas é que isso fere meu senso de esquecimento.

Já ouvi tantas vezes, que se acabou, é bom tratar de andar depressa e deixar tudo que passou guardado com cuidado só pra massagear a memória de vez em quando. E usar como remédio para te tratar bem quando passar por mim na rua. Ou não pensar em desligar o telefone antes de você me perguntar se está tudo bem, e eu mentir que estou ótima. Mas não consigo. Eu fico aqui revirando o maldito baú e pensando no quanto foi ridículo viver todo esse tempo com você, e pior: achando que seria pra sempre. Que você me completava e que juntos construiríamos uma família, um futuro incrível. Sei que foi tudo real. Mas quando penso no dia que você resolveu ir embora parece que tudo foi feito a lápis e se apagou com tanta facilidade que as marcas que ficaram fazem questão de serem insignificantes.

Estou presa em marcha ré.

Para mim cada marca tem uma intensidade perturbadora. Como se doesse só de olhar. Já tentei abrir mão de tudo que te lembre. Mas assim não me restaria mais nada. Nem mesmo eu. Olho para trás e só consigo ver nitidamente todos os momentos que você fez questão de serem fixados para que nunca mais houvesse um adeus. E ainda sim você decidiu partir. Levando tudo mim. Enquanto eu fico aqui sem saber o quanto de mim ainda resta em você.

Saiba que se um dia você decidir olhar para trás com um pouco de ternura. Eu ainda estarei lá.

Talvez não te esperando.

Mas pronta para te ter um pouco mais perto. Não haverá sentimento que seja equivalente a tudo que já abriguei em mim. E nem palavras que cheguem perto de tudo que eu não disse, e estaria disposta a dizer. Se eu te amo? Eu não sei. Aprendi que o amor é verdadeiro quando duas pessoas estão dispostas a amar.

E quando um não quer. Dois não existem mais.

Foto: Sheila Carvalho 

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