Havia uma concentração generosa de gotas de chuva sobre o telhado. E um espaço confortável entre os lençóis. Não tinham certeza nenhuma, a respeito das questões que haviam se formado - como nuvens pesadas - em suas mentes.
Quando foi que o coração adormecera?
Por quanto tempo as lembranças ainda permaneceriam vivas?
Por mais quantas noites perderiam o sono?
Nunca foi o fim. E nem o começo de nada. Eles tinham a plena
certeza de que quanto mais tentasse apagar a bifurcação de suas estradas,
unificar seus passos, aproximar suas almas. Terminariam exaustos e por nada. Eram
os opostos que desafiavam todas as leis da física. Não funcionavam bem como um
só. Nunca funcionariam. E de tantos murros dados em pontas de facas, já não
existiam mais dedos para afagar a frustração constante.
“Espero que
esteja bem!” e “Se cuida!”. Assim terminavam todos os diálogos que travaram
durante anos a fio. Não cuidariam um do outro, e jamais juntariam esforços para
ficarem bem, ou escapar do mal. E estas estranhas convicções permaneceriam
constantes e indecifráveis. Até não pensarem demais. Se cobrarem demais.
Desconfiarem demais do que não aconteceu. Olharem para a mesma direção. E deixar
que o medo e a falta de coragem se tornem apenas cinzas fáceis de se assoprar.
Foto por Sheila Carvalho

Que facilidade em descrever o indescritível! Ainda bem que as minhas cinzas são fáceis de assoprar..kkkk Parabéns! Estou virando fã!
ResponderExcluirVocê já está virando suspeito pra falar!!!! Muito obrigada mesmo!!! ;)
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