Penso,
logo me calo. Adormeço. Sou vencida pelo cansaço. O cansaço de me privar de
coisas que poderiam dar certo, mas não deixo. Não deixo pelo medo excessivo de falhar,
de sofrer, de chorar, de não poder mais abraçar.
Aceito
que é a lei, a ordem natural da vida. As pessoas tem que ir embora, desaparecer. Para que
outras possam chegar, e, criar novos espaços. Mas dói, e quando dói demora a
cicatrizar. E chorar por cima do leite que há muito foi derramado e já secou.
Não é do meu feitio. Já foi, confesso mesmo. Mas hoje, infelizmente acredito
que seja melhor nem mesmo encher a leiteira, para não correr o risco de vê-la
derramar.
Sinto
falta. Mas, quem não tem, costuma sentir falta. E que termine por aqui esta
definição sem escrúpulos.
Somos
todos, provas vivas, de que ter é mais fácil do que se possa imaginar. O
difícil mesmo é manter - Manter por perto. Aceso. Vivo. Quente. Saudável.
Imortal (por que não) - Simplesmente pelo orgulho inútil, de não aprender a
sustentar um olhar. E digo inútil, por motivos óbvios, já que os olhos são
portas estreitas, que nos levam direto a sala de estar dos sentimentos mais
sinceros. Enquanto toda voz, todo grito, se empenha a silenciar o que de fato
tem de estar escancarado.
Me
aproximo, crio monstros, e na minha imaginação eles não são cruéis. Me ajudam
até a levar o lixo do passado pra fora, vez ou outra. Limpam a casa inteira, e
até preparam um belo jantar, para quando você quiser se sentir
bem-vindo-ao-lar, que não é seu, mas que se encontra decorado a seu gosto.
Volto
a dormir, cansada novamente, por ter achado que poderia sair do meu estado
atual de conforto, e embarcar nesse vagão vazio, no qual ninguém me convidou,
mas por teimosia comprei a passagem. Achando que no meio da viagem você me
tiraria do banco afastado, onde não mais batia luz. E me levasse para caminhar
por horizontes intocados. Por enquanto não penso em acordar, mas se por acaso,
você sentir que estes meus pensamentos, ocultos e solitários, de alguma forma lhe
incomodar – E claro lhe for conveniente – Não me importarei em lhe dar as mãos, nem tão pouco o coração.
Foto: Lays Salles
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Um tema tão raso, porém você criou um oceano rico e iluminado, me vez enxergar muito agora! Parabéns novamente. (estou ficando repetitivo já! rsrs)
ResponderExcluirEu que sou muito repetitiva em só dizer que agradeço. O que na verdade nem tem palavras! Muito Obrigada!! o/
ExcluirJaque,
ResponderExcluirMe senti lendo Gabriel García Marquez em algum texto sobre solidão, até a mesma sensação de ler a ultima palavra e querer pegar frase a frase de novo, eu sei que é pecado fazer comparações, analises ou qualquer coisa do tipo de algo escrito que é muito mais que apenas um texto.
É algo inexplicável, é mais do que o próprio sentimento que originou cada verso, porque agora se pode sentir sempre que lido.
E lá vamos nós (eu e meus pensamentos) serem repetitivos mais uma vez: Muito obrigada! Não consegui (desde ontem) pensar em algo a mais para agradecer! Mas como disse gosto muito quando as pessoas se aprofundam em entender mais do que o primeiro parágrafo. Isso ajuda a crescer novas perspectivas e a fluírem novas palavras! Obrigada mais uma vez!
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