Que o fim, pelo menos tenha sido para o nosso bem....




Lembra-se de quando queríamos gravar nossos nomes, nos troncos das árvores? Todos diziam que ali eles ficariam por um período que seria o nosso infinito particular. Mas por aqui só existiam postes e no máximo poderíamos colar cartazes mal desenhados, oferecendo uma recompensa para quem encontrasse o nosso amor desaparecido. A ultima vez que o vimos, foi em um beijo bagunçado de “- Te cuida, viu!”, e ele estava na companhia do olhar tímido de “- Sim, eu sei que você vai me matar mentalmente!”...

Sucumbimos à má vontade de nos deixar de lado, sem nenhum pudor. Sem cálculos prévios das consequências drásticas. Das perdas irreversíveis. Das causas indefensáveis. Desacreditamos da culpa assumida, no momento em que garantimos não nos deixar cair em desgosto, um pelo outro. Pagamos um alto preço, ao abrir mão dos cuidados, que os afáveis “bons dias” nos transmitia.

A luz apagou-se. E ainda nem era noite...

Viramos-nos em lados opostos, e a nossa respiração já não sincronizava mais. Nem a harmonia dos nossos olhares, suportou a agonia da nossa distancia. Estávamos tão perto; mas não chegamos a lugar algum. Nada nos pertencia, nem aquela mala abarrotada de sentimentos inversos, que acumulamos embaixo da cama de nossos medos. Estava pesada e tão escorregadia quanto a nossa promessa de andarmos sempre na mesma direção.

Ferimos o tempo com estacas de indiferença. E ignoramos a esperança passando por ela a longos passos de solidão. Nossos sorrisos forçados no final do dia já não trancavam as portas de nossas duvidas. E nossas mãos suadas de insegurança, deixavam escapar toda a nossa cumplicidade.

Adormecemos anestesiados pela dor do adeus. E acordaremos por pura necessidade de seguir em frente. Prometa que não olhará para trás. Que farei o mesmo daqui em diante. 

Ilustrado por Thiago d'Almeida 

2 comentários

  1. Não faço idéia do que dizer sobre o conteúdo do texto, quero dizer, tem frases perfeitas pra compor um disco inteiro... mas me refiro ao sentido, ou a compreensão do texto... Parece angustiado, solitário... não sei bem.

    É isso.
    Abs.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Já fico muito grata em você ter pensado em dizer algo a respeito. Muito obrigada seus comentários são sempre muito construtivos!

      Bjs

      Excluir

Apenas diga!

Layout por Maryana Sales - Tecnologia Blogger