A
vida é mesmo curta demais. Vivendo dez ou cem anos. Sempre será muito cedo. Se
não, pelos anos que se passam. Pelos segundos que poderiam ser dois a mais. Mas
sempre serão dois a menos.
Quando
troveja e relampeja, prepare-se para tempestade...
Eu
não pude evitar. Ninguém pôde. Quis carregar pelo menos metade do fardo. Mas é
o curso natural da vida. Uma hora o nosso rio precisa desaguar em algum mar. Parar
de correr. E pra quem fica. Tudo permanece um tanto desordenado e triste por
dentro; por fora. Como se uma vida inteira se desenrolasse em filmes: pequenos flashes
de lembranças e recordações, projetados involuntariamente nos pensamentos.
Roteirizados pelo coração. Estrelados por lágrimas, doloridas. Sentidas.
Sinceras. Arrastando alguns galhos, troncos, de sorrisos. Simplesmente pela
generosa herança de bons feitos. De mãos estendidas o tempo inteiro,
independente da direção, da distância, do necessitado.
Compreendi
que não entraria em detalhes. Ela não queria que sofrêssemos junto dela. Não
queria nos ver fracos. Queria que seguíssemos em frente. Assim como ela sempre
fez, com os obstáculos que enfrentou na vida. Guerreira de nunca desistir, e
saber ganhar, sem perder a humildade que cultivou a cada dia. Embora sem
conseguir mais esboçar, eu vi o seu sorriso aberto, no momento que seus olhos
encontraram os meus. E em silêncio ela me confortou. E com meu beijo de “Até
logo!” desejei que pudesse lhe transmitir a paz que tanto precisava.
De
repente senti a necessidade de ter sido educada, para encarar o fim de um
ciclo, como uma festa, não entristecer pela vida que se vai. Mas se choro.
Prefiro encarar que não é por egoísmo. Choro porque dói a parte mais verdadeira
dos sentimentos. A perda nos tira o firme chão. Nos deixa sem sentidos.
Perdidos em qualquer motivo que nos leve de volta onde tudo não se acaba. Mas o
que se tem é uma cavidade de saudade sincera. Não, ela não vai sorrir a me ver
chegar...
Retificando: vai sim, em um lugar onde não mais precise agarrar-se a
força de respirar. Onde não se canse em lutar para ficar bem. Onde não haja
mais sofrimentos.
Sobrevivi
ao temporal. E mais uma vez o Sol brilha esplêndido...
Não
tem por que pedir para que você volte. Afinal você nunca vai sair daqui. Agora
ouço sinos e sinfonias cintilantes que ninguém mais ouve. Sinto a sua presença
zelando meu sono. Sorrindo pra mim. Brilhante. Aliviada. Confortante. Sempre Feliz.
Ilustrado pela Natureza cultivada em casa, e o amor a ela que a minha Avó sempre teve.
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