por Pedro Bezerra
Você estava aqui. E eu acreditava ter alguém
pra poder chamar de minha. Mas que bobagem. Acreditei por muito tempo que nada abalaria
essa estrutura em forma de sorrisos e momentos bons. Acreditei mesmo que isso
não iria mudar. Mas me distraí. Era tanto amor que me queimou. Muita pressa e
tudo de uma só vez. Fez com que o desgaste prematuro batesse a porta do quarto.
Não queria te soltar, mas minha inquietação
mental, causada pela suspeita e o orgulho másculo, me envolveu nas decisões, as
escolhas das palavras não nos fizeram bem e o fim se tornou a única solução.
A clausura, e, as esperas das longas voltas
que o relógio dava por meus olhos me esgotaram. E depois de tanto tempo já não
havia conserto a se fazer. Esperei piorar e deixei de cuidar, sem querer vi os
dias passarem. Lembrando o leite quente e as tardes de filmes e cobertores –
mesmo no verão. Enfim 730 dias se passaram e saber que o “nunca mais” rodeava
minhas pernas, como um gato preto que almeja um afago do seu dono, me
atormentava. Até que resolvi lhe ver. E essa decisão fortaleceu minha mente atormentada.
Queria te mostrar o tempo que levei pra mudar
de lugar algumas coisas, na esperança de cobrir o vazio.
Foi bom te ver, mesmo que não tenha mudado;
mesmo que tenha me faltado o ar, foi bom te ver. Alguns objetos ainda estavam
lá. Agora te peço que fique bem. Como nossos sonhos e planos guardados no mesmo
baú, espero que um dia possa – consiga – abri-lo e dividir com alguém que
encontre o mesmo tom que eu encontrei, mas perdi.
O novo vem assim que você o deixa entrar. E
os ciclos se fecham nas costas de quem os deixa fechar.
Ilustrado por Ana Cláudia Martins
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Não poderia ter escolhido música melhor, beijão Jaque, adorei poder fazer parte desse projeto.
ResponderExcluirTrilha sonora recomendada pelo dono da coluna! =D
ExcluirEu que adorei a parceria!!! Beijão Pedroo!!