Sem data pra te fazer entender o quanto se
eternizou...
Olha,
Está tudo bem por aqui. Mas interprete da
pior maneira que conseguir. Tenho diluído as coisas boas, que você quis que eu ficasse
num copo grande, com água morna pra tentar diminuir o efeito das lembranças.
Você realmente achou que todo o cuidado em desenhar um ponto final tão bonito,
adiantou alguma coisa? – Pois bem, não amenizou em nada. E agora com tudo
esclarecido. Com todo esse monte de verdade atirado no ventilador, direto no
meu rosto. É que tudo começa a ficar uma merda. Eu te entendo. Entendo a sua
intenção de se desengasgar. De querer que as virgulas encontrassem os lugares
certos na história. De que eu não ficasse o tempo todo pensando nas flores. E começasse
a me espetar um pouco mais com os espinhos. Que eu acordasse pro meu mundo, e me mudasse
de vez do seu. Eu entendo. Mesmo. Que eu parasse de sonhar acordada, e tentasse
encostar os pés no chão com mais frequência. Que eu parasse de querer tudo no
lugar. E te deixasse com toda a zona que é o seu quarto e a sua vida. Eu
entendo...
Agora o que eu não entendo. São os teus
porquês.
Porque você estava esse tempo perto. Porque
me disse um monte de palavras bonitas. Porque me fez acreditar que estava tudo na
mais perfeita ordem. Porque me deixou certa de que tudo o que eu dizia estava
bom pra você. Porque não mostrou o seu lado dos sentimentos. Porque nunca me
disse que o meu jeito, e os meus gostos não te agravam em nada. Eu sabia que éramos
divergentes. Agora me diz: porque não deixou que a sua mascara caísse, nos meus
pés, para que eu pudesse realmente te conhecer?
Você brincou com saudade. Com amor. E nem
percebeu quem foi que na verdade se prejudicou.
Me amargurei. Fiquei com raiva, mas de mim
por ter sido tão cega. A ponto de não perceber que caímos no conformismo da
companhia. Se isso tudo isso tivesse aparecido antes. Talvez não houvesse tanta
poeira debaixo do tapete, e não tivesse atacado toda essa sua sinceridade de
enciclopédia criada. Sério mesmo que dizendo tudo isso agora, você acha que foi
sincero demais? Bom, eu disse que te entendo. Mas ponha a sua cabeça no
travesseiro, a mão na testa e fecha os olhos. Sinceridade mesmo seria se ao
longo dos dias que passamos por todas as aquelas calçadas. No intervalo de
todas as musicas que ouvimos juntos. Você deixasse transparecer quem realmente
era você. E o que queria de mim. E do mundo a tua volta.
Eu já me acostumei a me conformar, e a
esquecer também. Então é melhor que eu te diga que esteja tudo bem. Porque se
não está, com certeza vai ficar. Você não é o primeiro. E somos tão jovens que
está longe de ser o ultimo...
Assim como outros que vieram. Você chegou
bagunçou meu mundo. Revirou todo o meu planejamento de sobrevivência. Fez com
que eu me sentisse melhor. Transformou meus dias, em poços de recordações. E os
momentos em fotografias. E assim como os outros. Você foi embora. Disse que
queria que eu ficasse com todas as coisas boas que vivemos.
Agora tanto faz.
Aceito tuas desculpas.
Se refaça, se renove.
Ilustrado por Susi Godoy - com Tamires Guimarães

Incrível o a facilidade que tem de ver os dois lados! Adorei o texto, e se houver alguma ponta de orgulho no rapaz que enviou a primeira carta, essa história ainda vai longe. kkkk Exercício para escrever o seu primeiro livro. ;)
ResponderExcluirSou chata pra caramba. E te cobro os comentários. Mas é que eles enriquecem e acrescentam as palavras.
ExcluirVou ver se consigo trabalhar no lado orgulhoso do rapaz... kkk
Muitoo Obrigadaa!!
Volte sempre e pra sempre!!! =D