O seu futuro não pode estar na carteira


Super Sense by Antonio Di Leva on Grooveshark

- O que você quer ser quando crescer?
Desde pequenos essa clássica frase martela em nossas cabeças. Mesmo nas redações da escola, quando não tínhamos muitas preocupações já pensávamos no futuro.
- Como será o nosso amanhã? Ou depois de amanhã?
Atire a primeira pedra aquele que não tem sonhos. Eu tenho e não são poucos. Muito menos, pequenos. Bom, e como sabemos a vida não é filme e nem de longe se parece com aqueles bonitos onde tudo se acerta para o protagonista. Eis que aqui entra uma boa dose de realidade.
Ele já estava cansado de tanto buscar uma posição profissional confortável, mas não fazia a mínima ideia do que queria fazer do seu futuro, ou como fazer pra chegar até ele. Sonhos vinham de monte em sua cabeça, eram tantas possibilidades... Mas uma coisa sempre impedia que ele dormisse em paz.
- Tenho que ganhar dinheiro. Não sei como e nem quando, mas preciso trabalhar em algo rentável.
Levava consigo apenas uma noção de futuro financeiro. Chegou até a mudar de cidade pensando que assim as coisas sairiam mais fáceis. Talvez o novo trouxesse o que ele tanto buscava. Mas nesse novo espaço que finalmente começou a reeducar tudo aquilo que havia de errado com seus pensamentos. Tudo aquilo que julgava certo e sensato até então. Conheceu pessoas diferentes daquelas com quem costumava conviver. Gente com uma mentalidade oposta da sua cabeça já decidida até então. E conheceu uma velha senhora, com a qual se identificou e ouviu muitas histórias de coisas que jamais imaginou existir.
- Pois é meu querido – ela me disse – eu vim do mesmo lugar que você, em busca de tudo aquilo que você tem buscado hoje. Mas preste bem atenção, quando se foca em apenas uma coisa na vida, e quando essa coisa se chama dinheiro e conforto, acabamos esquecendo todas as outras coisas que realmente valem a pena na vida. Hoje eu estou aqui, velha e sozinha, mas já tive uma grande empresa, carro do ano, e tudo o que o dinheiro pode comprar. Já tive até um marido, provavelmente já tive sentimentos também. Mas a minha busca excessiva por bens materiais me cegou o mais bonito deles. O Amor. Que não tive nem pelos meus filhos, hoje nem sei se estão bem, se estão felizes, não sei se estão vivos. Eu nunca consegui ser uma mãe atenciosa, nem mesmo paciente, sempre cobrei pensamentos de futuro financeiro a eles. E nunca me importei com seus gostos, nem com seus anseios particulares. Passaram-se anos e continuei não me importando com nada que envolvesse o lado pessoal do meu marido, dos meus filhos. Nunca fui capaz de corresponder o amor o cuidado familiar que eles depositavam em mim a cada dia... Infelizmente meu filho arrependimento não mata, mas um dia há de me levar.
Viu aquela senhora começar a chorar timidamente para que continuasse não demonstrar abertamente que tinha sentimentos. Agradeceu a companhia dele, deu-lhe um beijo de boa noite. E deixou no ar um ponto para que ele refletisse sempre.
Ele continuou em sua desgastante rotina, de casa para o trabalho e vice e versa. E há dias não encontrava a velha e sabia senhora que lhe proporcionava conversas e momentos bons entre um dia corrido e outro. Até que um dia uma noticia triste chegou em seus ouvidos juntamente com uma carta tão doce quanto aquela doce senhora, que a vida havia deixado tão amarga.
“Meu querido, vi em seus olhos que esta busca material na qual você se esforça todos os dias não é o que precisa. Não é aquilo com o que você sonha. E eu partirei com você no coração. E onde estiver zelarei para que você não desista de lutar pelos seus verdadeiros sonhos. Continue firme sua caminhada e lembre-se sempre de que família está sempre em primeiro lugar nos seus planos. E não há dinheiro que pague o amor. Fique com Deus meu filho.”
Lágrimas escorriam pelos olhos dele enquanto as lembranças daquela senhora cravavam em seu coração para sempre. Graças a ela, ele hoje é grato por ser um ser humano melhor. Com uma cabeça diferente e nada gananciosa.
- Eu nunca me esquecerei destas palavras: Família e Amor estão sempre em primeiro lugar.
Ele voltou de onde saiu com planos mesquinhos. E percebeu que já não restavam mais os velhos amigos. Conheceu pessoas novas – mais uma vez – pessoas que sabiam o que dizer. Exceto quando tinham o seu o estado alcoólico elevado, o que ele achava muito normal para que a vida não fosse levada a tão ferro e fogo.

Pessoas a quem ele respeita e preserva a companhia sempre. Amigos que lhe apoiam os seus planos de futuro, profissionais e amorosos também. E graças a esses mesmo amigos – novos – hoje ele tem um novo amor. Amor cujo ele coloca em primeiro plano. Enquanto observa e se esforça para que o resto venha como consequência e que some a felicidade que só aumentará. 

Ilustrado por Thiago d'Almeida

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