- O que você quer ser quando crescer?
Desde pequenos essa clássica frase martela em
nossas cabeças. Mesmo nas redações da escola, quando não tínhamos muitas
preocupações já pensávamos no futuro.
- Como será o nosso amanhã? Ou depois de
amanhã?
Atire a primeira pedra aquele que não tem
sonhos. Eu tenho e não são poucos. Muito menos, pequenos. Bom, e como sabemos a
vida não é filme e nem de longe se parece com aqueles bonitos onde tudo se
acerta para o protagonista. Eis que aqui entra uma boa dose de realidade.
Ele já estava cansado de tanto buscar uma
posição profissional confortável, mas não fazia a mínima ideia do que queria
fazer do seu futuro, ou como fazer pra chegar até ele. Sonhos vinham de monte
em sua cabeça, eram tantas possibilidades... Mas uma coisa sempre impedia que
ele dormisse em paz.
- Tenho que ganhar dinheiro. Não sei como e
nem quando, mas preciso trabalhar em algo rentável.
Levava consigo apenas uma noção de futuro
financeiro. Chegou até a mudar de cidade pensando que assim as coisas sairiam
mais fáceis. Talvez o novo trouxesse o que ele tanto buscava. Mas nesse novo
espaço que finalmente começou a reeducar tudo aquilo que havia de errado com
seus pensamentos. Tudo aquilo que julgava certo e sensato até então. Conheceu
pessoas diferentes daquelas com quem costumava conviver. Gente com uma
mentalidade oposta da sua cabeça já decidida até então. E conheceu uma velha
senhora, com a qual se identificou e ouviu muitas histórias de coisas que
jamais imaginou existir.
- Pois é meu querido – ela me disse – eu vim
do mesmo lugar que você, em busca de tudo aquilo que você tem buscado hoje. Mas
preste bem atenção, quando se foca em apenas uma coisa na vida, e quando essa
coisa se chama dinheiro e conforto, acabamos esquecendo todas as outras coisas
que realmente valem a pena na vida. Hoje eu estou aqui, velha e sozinha, mas já
tive uma grande empresa, carro do ano, e tudo o que o dinheiro pode comprar. Já
tive até um marido, provavelmente já tive sentimentos também. Mas a minha busca
excessiva por bens materiais me cegou o mais bonito deles. O Amor. Que não tive
nem pelos meus filhos, hoje nem sei se estão bem, se estão felizes, não sei se
estão vivos. Eu nunca consegui ser uma mãe atenciosa, nem mesmo paciente,
sempre cobrei pensamentos de futuro financeiro a eles. E nunca me importei com
seus gostos, nem com seus anseios particulares. Passaram-se anos e continuei
não me importando com nada que envolvesse o lado pessoal do meu marido, dos
meus filhos. Nunca fui capaz de corresponder o amor o cuidado familiar que eles
depositavam em mim a cada dia... Infelizmente meu filho arrependimento não
mata, mas um dia há de me levar.
Viu aquela senhora começar a chorar
timidamente para que continuasse não demonstrar abertamente que tinha
sentimentos. Agradeceu a companhia dele, deu-lhe um beijo de boa noite. E deixou
no ar um ponto para que ele refletisse sempre.
Ele continuou em sua desgastante rotina, de
casa para o trabalho e vice e versa. E há dias não encontrava a velha e sabia
senhora que lhe proporcionava conversas e momentos bons entre um dia corrido e
outro. Até que um dia uma noticia triste chegou em seus ouvidos juntamente com
uma carta tão doce quanto aquela doce senhora, que a vida havia deixado tão
amarga.
“Meu querido, vi em seus olhos que esta busca
material na qual você se esforça todos os dias não é o que precisa. Não é
aquilo com o que você sonha. E eu partirei com você no coração. E onde estiver
zelarei para que você não desista de lutar pelos seus verdadeiros sonhos.
Continue firme sua caminhada e lembre-se sempre de que família está sempre em
primeiro lugar nos seus planos. E não há dinheiro que pague o amor. Fique com
Deus meu filho.”
Lágrimas escorriam pelos olhos dele enquanto
as lembranças daquela senhora cravavam em seu coração para sempre. Graças a
ela, ele hoje é grato por ser um ser humano melhor. Com uma cabeça diferente e
nada gananciosa.
- Eu nunca me esquecerei destas palavras: Família
e Amor estão sempre em primeiro lugar.
Ele voltou de onde saiu com planos
mesquinhos. E percebeu que já não restavam mais os velhos amigos. Conheceu
pessoas novas – mais uma vez – pessoas que sabiam o que dizer. Exceto quando
tinham o seu o estado alcoólico elevado, o que ele achava muito normal para que
a vida não fosse levada a tão ferro e fogo.
Pessoas a quem ele respeita e preserva a
companhia sempre. Amigos que lhe apoiam os seus planos de futuro, profissionais
e amorosos também. E graças a esses mesmo amigos – novos – hoje ele tem um novo
amor. Amor cujo ele coloca em primeiro plano. Enquanto observa e se esforça para
que o resto venha como consequência e que some a felicidade que só aumentará.
Ilustrado por Thiago d'Almeida


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