“Mesmo que o meu coração se resuma a vidros
estilhaçados. Te quero bem.”
Havia descoberto a
causa de sua vontade excessiva de chorar. Depois de sorrir inúmeras vezes para
espantar a tristeza, esta se encheu de ira e resolveu voltar equipada com armas
de guerra. Bombardeando sua mente todas as vezes que decidia perfurar poços de lembranças,
e, encontrar fósseis de sentimentos extintos.
Ela estava perdida em
meio a tantas coisas espalhadas pelo caminho. Saudades. Carinho. Amizade. Amor.
Compreensão. Perdão. Decepção. Raiva. Tristeza. Superação (Enganosa).
Cumplicidade. Respeito. Perseverança. Derrota. Mágoas. Amor (mais uma vez)... E após tropeçar, repetidas vezes, decidiu que
era hora de organizar essa bagunça de sentimentos, em caixas e escondê-las no
porão empoeirado – sua memória. Infeliz memória. Que ocultava obrigações
básicas, como seguir em frente sem olhar para os lados. Mas fazia brilhar, o
passado que merecia se afogar. Lutava, com toda sua força, contra os monstros
do pensamento duplo – "Quero que você seja muito feliz, mesmo sem mim!" "Quero que
você se arrependa destas escolhas imbecis, e jogue pedras no meu telhado à meia
noite!" – e implorava por noticias dele no mais curto intervalo de tempo.
Já havia desistido de tentar. Aliás desistir havia se tornado uma pílula fácil de se engolir. Desejava coisas novas a cada instante. Mas nem sequer abria as janelas para que elas pudessem entrar. Ouvia novidades a respeito do futuro glorioso que ele construía, a cada dia. Mas ficava contente em agradecer por mais um dia. Desacreditou temporariamente em um novo amor...
Já havia desistido de tentar. Aliás desistir havia se tornado uma pílula fácil de se engolir. Desejava coisas novas a cada instante. Mas nem sequer abria as janelas para que elas pudessem entrar. Ouvia novidades a respeito do futuro glorioso que ele construía, a cada dia. Mas ficava contente em agradecer por mais um dia. Desacreditou temporariamente em um novo amor...
E nos seus pensamentos
o amor era apenas mais um abismo. E cair nele, só uma questão de tempo e
espaço. Não que tivesse limitando-se a esperar o dia em que uma força maior,
viesse e desse três batidas na porta pedindo desesperadamente para entrar. Morar
com ela. Trazendo na mala uma variedade de promessas. Oferecendo-lhe comida,
roupa lavada e uma massagem nos pés. Usando uma faixa luminosa na testa escrito
‘Amor’, para que não esquecesse jamais o propósito de estar ali. Ao contrário, inteiramente ao contrário.

Parabéns pelo texto, lindo!
ResponderExcluirAgradeço Muito... E me pergunto se tenho um leitor melhor que você!!! =D
Excluir