Desamor Sobre Tela...


“O valor nasceu. Do amor que morreu. Que não existiu. Transformei nosso coração em galeria. Cada traço, cada sinfonia. Sem nenhuma pretensão. Abri para exposição.”

 Dentre as tintas que escolhi. Inventei cores. Criei tons. Retratei a natureza morta que marcava o começo do nosso fim. Sem paleta ou cavalete, apoiei telas em branco. Quis impressionar – não fui capaz. Sobre pinceladas rápidas, óleo e lágrimas que secaram rápido. Viajei no cenário perfeito, que com o calor dos nossos desencontros, escorreu, manchou, não deu em nada. Quis esculpir sorrisos em seu rosto já esquecido. Um pouco de argila, água, saudade e decepção. Tarde demais. Não atingi a textura ideal. Não foi por mal. Deixei-te partir. Você não tentou me impedir.

Sabe! Ainda ontem me lembrei das nossas mãos entrelaçadas em giz pastel, assumiam cores tão suaves e ao mesmo tempo, tão fortes e ousadas. Que perfeitamente representava toda a nossa sensibilidade. Não poderia esquecer jamais, dos nossos abraços em aquarela, delicados e transparentes. Que para mostrar todo sentimento, precisavam ser solúveis em gotas, das lágrimas que teimávamos em não derramar. Marquei em carvão, nossos olhares acrílicos, ligeiramente escuros e opacos. Mas que para nossa surpresa tornavam-se claros revelando a verdadeira cor das incompreensões. Desenhei toda aquela compaixão trabalhada em luz e sombra. Não projetava. Não escondia. Eram duas dimensões que não distinguiam nossas verdadeiras intenções.

Não haveria uma semana dedicada a nós. Não percorreríamos o mundo em leilões. Não enfeitaríamos a sala de ninguém. Ninguém desenrolaria uma partitura antiga, e não gravaria a nossa canção. Não existia canção. Aquela dança contemporânea que marcou o movimento do nosso desespero. Não teria um espetáculo. Hoje somos desconhecidos. Não sei de você. Nem você de mim. Indigentes emocionais, sem nenhum fim lucrativo. Ninguém teria interesse, em arrematar esse nada que construímos em exageros. Em responsabilidades. Sem comprometimentos.

Mais uma vez...

Encontrei um bloco antigo, surrado, com esboços dos planos que fizemos juntos. E juntos abandonamos, depois de marcar dois pontos de fuga, nos perdemos, no horizonte que ninguém rabiscou. No porão, toda matéria prima sem forma, abandonada. Engaiolada, a imaginação com suas asas cortadas, sofria em silêncio. E mesmo que abstrata; sempre houve arte em nossos corações.


Ilustrado por: Jefferson Ramos [Em: But you are the only exception) 

3 comentários

  1. Olá, conheci seu blog no blogosfera, parabéns muito interessante! Conheça o meu também: www.rendanarederapido.blogspot.com.br

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