Só seu. Só meu. Só nosso.
Tinha tudo friamente calculado. Roteirizado.
E anotado perto da cama pra não esquecer o que tinha de ser feito para o meu
futuro glorioso. Sonhava em ser alguém que o mundo pudesse se orgulhar.
Quebrando metas e objetivos que eu mesmo criei pra provar todos os dias que eu
podia ser melhor do que fui há três segundos. Vivia a mediocridade do eu, que
queria ser só, sem nada que fizesse ao menos um olho brilhar. Opaco. Perdido no
amontoado de coisas que eu deixei passar por orgulho – por medo de que
atrapalhassem os meus planos. Desviando dos pensamentos que me rondavam;
sussurrando em meus ouvidos que faltava algo pra completar o meu mundo egoísta.
Sempre fui muito raso em tudo que envolvesse o meu lado emocional/sentimental,
nunca mergulhei fundo pra não bater forte a cabeça e ver que o hematoma não
desapareceria tão fácil. E sobre todas as coisas que me faltavam. Talvez a mais
importante fosse alguém que viesse para somar meus dias diminutos. Alguém que
me roubasse os pensamentos. E que me fizesse andar na corda bamba da vida, ao
mesmo tempo em que me desse total segurança nos movimentos.
Você...
E olha, eu não sei, não. Mas de repente
parece que eu acordei apaixonado por você. Mesmo revivendo mentalmente cada
detalhe de quando eu te encontrei, tudo parece meio transparente e surreal, se
levado em consideração a minha cara quando acordo já com você nos pensamentos. Em
como você vai estar despretensiosamente vestida quando eu chegar pra te buscar.
Perco a hora de voltar para o trabalho, para não perder a hora de tocar a
campainha da sua casa, e te ver sorrindo abrindo o portão pra mim. Esse seria o
momento exato de dizer que eu não merecia tanto. Mas eu merecia. Mereço. Pra me
livrar de toda cara fechada, que eu levava no bolso dia-após-dia. Com você e por
você... A minha atmosfera tornou-se mais leve. E até quem me vê preso as minhas
atividades rotineiras, sabe que você apareceu.
Se demorou? S’eu esperei demais? Se não corri
atrás? Se deixei outras irem embora? Se não me apeguei? – Sim. Mas foi pra ter
espaço suficiente para você aparecer.
Tenho certeza de que assim como eu, você
também estava perdida. Algo em seus ombros levemente retraídos. Seu olhar
distante. E o tênis desamarrado. Me prendeu a atenção. Dividimos nossas
histórias em blocos de cores, para montar, e jogar fora enquanto preenchíamos com
as nossas próprias aventuras. Encontrei em você um jeito de ser melhor. E de te
fazer melhor. Tudo o que girava em torno do meu próprio umbigo, hoje nem perto
de mim chega mais, tinha sonhos mesquinhos. E agora prefiro não sonhar se não
for pra dividir com você. Incluir você. Realizar com você. Às vezes
involuntariamente agradeço baixinho pelo dia que cruzei o seu caminho, me
atrapalhei com a respiração, e engasguei um Oi-tudo-bem sustenido. E te deixei
seguir. Cheguei a duvidar, balancei a cabeça num movimento de não-pode-ser. E
agradeço porque, agora tudo faz sentido.
Faria qualquer coisa, pra arrancar um quê de
surpresa do seu sorriso frouxo. Até coisas que nem eu acreditasse depois. Sinto
sua falta minuto-a-minuto quando estou longe. Ou quando estamos cansados demais
– por culpa das responsabilidades – para juntar nossa atenção num cômodo só. E
mesmo assim, sei que nossos pensamentos estão conectados. Venero a saudade, em
cada canto, principalmente quando ela termina em abraços longos e apertados. Em
beijos desesperados.
Sorte ou não. Tenho você aqui. Pra uma vida
inteira – o que quer que seja que isso signifique – Sem importar se já se
passaram dois dias, ou dois séculos. Tudo é muito intenso pra contar nos dedos
o que já vivemos.
Estou preparado para bater de frente, quando
tudo estremecer entre nós. E eu sei que você também está. Pelos planos que construímos
juntos, e pelos muitos sonhos que ainda vamos dormir. Porque pensando bem. Isso
é amor. E se não for. Eu não conheço outra definição. E mesmo se o tempo quiser
te levar, pra qualquer lugar. Longe. Eu pego tudo o que eu ainda não tenho, e
uma sacola. Pego carona. Sigo horas, minutos, segundos. Pra te acompanhar, por
onde o vento for.
Iluminado (Ilustrado) por Susi Godoy

Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirVocê sempre me surpreende! Coisas incríveis saem da suas mãos. Nesse eu vi pedaços de histórias cortadas em cubinhos, uma essência mista bem definida em personalidade, e, claro, uma calda de criatividade que faz com que tudo fique especial e cheio de significado. Mãos e mente mágicas. Cada dia mais seu fã!
ResponderExcluir"eu vi pedaços de histórias cortadas em cubinhos," - ADOREI.
ExcluirMuito Obrigada é só o que consigo dizer!
E obrigada ainda mais pelas contribuições sentimentais.
=D
apaixonada por todas... parabéns por conseguir passar para o papel o que sentimos com o coração..
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